Justiça revoga prisão preventiva de 17 réus acusados de integrarem organização criminosa internacional que faturou R$ 250 milhões em golpes pela internet

Outros 50 envolvidos no caso continuam presos. Entre eles, pessoas de nacionalidades da Nigéria, da França, da Zâmbia, da Tanzânia, de Angola e do Togo, além de 18 brasileiros.

O juiz da 2ª Vara Judicial do Fórum da Comarca de Martinópolis (SP), Alessandro Correa Leite, revogou a prisão preventiva de 17 réus acusados de integrarem uma organização criminosa internacional que teria causado prejuízo estimado em R$ 250 milhões através de golpes aplicados pela internet.

Outros 50 réus envolvidos no caso continuam presos. Entre eles, pessoas de nacionalidades da Nigéria, da França, da Zâmbia, da Tanzânia, de Angola e do Togo, além de 18 brasileiros.

Na segunda-feira (17), o juiz adotou dois critérios objetivos para a revogação da prisão preventiva, decretada já havia cinco meses, das 17 pessoas: acusação unicamente de atuação como correntista e movimentação de valores inferiores a R$ 500 mil.

Fazem parte deste grupo 12 brasileiros e cinco estrangeiros de diferentes nacionalidades – Venezuela, Haiti, Tanzânia, Guiné Bissau e Nigéria.

No caso dos estrangeiros, o magistrado determinou que entreguem seus passaportes à Justiça, no prazo de 72 horas, e ainda os impediu de deixarem o Brasil, sob pena de revogação da liberdade provisória. Além disso, o juiz ainda mandou comunicar à Polícia Federal que os réus estão proibidos de deixarem o país. Outra determinação do juiz é para que a embaixada de cada nacionalidade dos réus seja informada de que eles respondem a processo criminal no Brasil e de que foram obrigados a entregarem seus passaportes e ainda impedidos de deixarem o país até uma posterior deliberação judicial.

Como medidas cautelares, o juiz impôs aos 17 réus o comparecimento mensal no juízo de seus domicílios para justificar suas atividades; a proibição de se ausentar da comarca de seu domicílio sem autorização da Justiça e, em caso de mudança de endereço, a imediata comunicação ao Poder Judiciário; e o recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga.

Na decisão, o magistrado adverte os réus de que o descumprimento das medidas pode ocasionar a revogação do benefício da liberdade provisória com a consequente decretação da prisão preventiva.

“A liberdade desses réus não colocaria em risco a ordem pública, pois eles não teriam condições de praticar os crimes sem a ajuda dos outros réus que estão presos”, afirma o juiz Alessandro Correa Leite.

“Quanto aos demais réus, que são acusados de terem diversas funções na organização (denunciados até o número 42), bem como os correntistas com movimentação superior a 500 mil reais, a manutenção da prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública, conforme contido na fundamentação desta decisão”, complementa.

Conversas em redes sociais

“A acusação aponta a existência de numerosa organização criminosa, estruturada e caracterizada pela divisão de tarefas, com o fim específico de praticarem o crime de estelionato e extorsão, por meio de conversas em redes sociais. Conforme revela a denúncia, cerca de 300 vítimas registraram ocorrência policial, apontando um prejuízo da ordem de 17 milhões de reais. Além disto, foram identificadas diversas outras vítimas que não realizaram o registro da ocorrência policial, estimando-se que se trata de 2.000 pessoas, que tiveram prejuízo de cerca de 100 milhões de reais”, relata o juiz.

Ainda segundo a decisão judicial, a movimentação de dinheiro é tão grande que somente a pessoa apontada como líder da organização geriu a quantia de R$ 26 milhões em suas contas bancárias, em um período de três anos.

Outro denunciado, apontado como operador financeiro do grupo, movimentou a quantia de R$ 37 milhões em suas contas, também em um período de três anos.

“Além disto, há mais de uma dezena de réus com movimentação superior a um milhão de reais em suas contas, cujos valores foram creditados de contas no Brasil e no exterior. A enorme quantidade de pessoas que foram denunciadas e as altas somas de dinheiro movimentado demonstram a extensão dos crimes praticados e dos prejuízos causados às vítimas”, observa o magistrado.

“Aliado a isto, têm-se que os crimes são integralmente praticados por meio da rede mundial de computadores internet, sem qualquer contato pessoal com as vítimas, ultrapassando, inclusive, as fronteiras nacionais, de modo que somente a prisão preventiva é capaz de frear o ímpeto criminoso do grupo, que, ressalte-se, lesionou centenas de vítimas e auferiu milhões de reais de proveito criminoso”, prossegue.

“Portanto, revogar todas as prisões preventivas seria permitir que o grupo criminoso voltasse a atuar, lesando novamente milhares de vítimas”, conclui.

“Apesar disto, considerando o tempo de prisão preventiva, entendo por bem revogar a prisão preventiva de réus que tiveram menor participação nos crimes”, ressalta Leite.

No total, são mais de 200 réus envolvidos no caso e 34 deles ainda nem foram citados pela Justiça.

Yahoo Boys

Em dezembro do ano passado, uma reportagem exclusiva do Fantástico revelou detalhes da investigação que deu nome e rosto certos para quem se escondia atrás de identidades falsas nas redes sociais e tirava dinheiro de vítimas pelo mundo afora através de golpes na internet.

Uma fraude que somava R$ 250 milhões.

Eram os chamados Yahoo Boys, que aplicavam golpes pela internet e faziam vítimas mundo afora.

Os golpes eram aplicados sempre de forma virtual. Não existia o contato físico com o criminoso. Era tudo fake: a quadrilha criava um personagem com uma história completa, com fotos de eventos em família, viagens, trabalho, passaporte, endereço. Os únicos objetivos de tudo isso eram atrair e conquistar a vítima de uma tal forma que ela fizesse qualquer coisa para manter um relacionamento amoroso.

Foi o que aconteceu com uma brasileira, que contou sua história e não quis se identificar. Ela tinha certeza de que estava conversando com um namorado canadense.

No grupo de mais de duas centenas de réus, há ainda estrangeiros da África do Sul, da Tailândia, de Guiné, da Malásia, de Camarões, da Croácia, do Senegal e da Costa do Marfim.

Créditos

Por G1 Presidente Prudente

https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2021/05/19/justica-revoga-prisao-preventiva-de-17-reus-acusados-de-integrarem-organizacao-criminosa-internacional-que-faturou-r-250-milhoes-em-golpes-pela-internet.ghtml

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