Nigeriano suspeito de integrar quadrilha de golpe do falso namoro é preso em Blumenau

Quadrilha buscava vítimas na internet e fingia iniciar um relacionamento para extorquir as vítimas com ameaças de divulgação de fotos íntimas.

REDAÇÃO ND, BLUMENAU

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou na manhã desta terça-feira (15) na cidade de Presidente Prudente a operação Anteros, com o objetivo de desarticular uma quadrilha que promovia golpes pela internet extorquindo as vítimas. Até o início da tarde desta terça (15) foram cumpridos 70 mandados de prisão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Ceará, Bahia, e Roraima.

Em Santa Catarina, foi cumprido um mandado de prisão e um de busca e apreensão em Blumenau. A ação foi realizada por agentes da DIC (Divisão de Investigação Criminal) na Rua Conde d’Eu, no bairro Vila Nova.

Um homem natural da Nigéria foi preso e diversos aparelhos eletrônicos foram apreendidos. O suspeito e o material apreendido serão encaminhados para a delegacia responsável pelas investigações.

A operação

De acordo com informações da Polícia Civil paulista, a operação Anteros é uma fase que teve origem com a operação Voo de Ícaro, que em 2019 desarticulou organização criminosa que atuava em estabelecimentos prisionais. A análise do aparelho celular de um preso naquela ação identificou uma farta movimentação bancária, que motivou uma nova investigação.

A investigação durou mais de um ano e conseguiu identificar uma complexa organização criminosa que envolve uma série de funções e se estende por diversos países.

Conhecidos por “romance scammers” os criminosos são especializados em golpes na internet utilizando perfis falsos, para depois de extorquir as vítimas. Há indícios da ocorrência do crime em 24 estados brasileiros.

O crime

Segundo a polícia, os crimes eram cometidos por meio de redes sociais ou aplicativos de namoro. Os criminosos enviavam solicitação de amizade a potenciais vítimas, em especial funcionários públicos, idosos, independente do sexo. Porém, todas as vítimas demonstravam poder aquisitivo superior, sobretudo no conteúdo que publicavam nas redes sociais.

Após o contato inicial, sempre sútil e de diálogo convincente, iniciavam um namoro virtual e, aos poucos, as vítimas acabavam por enviar fotos ou vídeos íntimos, que posteriormente eram utilizados na extorsão.

Na maioria dos casos, o golpe ocorria da seguinte forma: o “fakelover” (denominação dada pela investigação ao núcleo que mantinha os contatos diretamente com as vítimas) dizia morar no exterior e informava que recebeu uma herança e precisava enviar para o Brasil, incentivando a vítima a ajudá-la neste processo, com promessa de vantagem.

O “fakelover” pedia para a vítima receber o material em sua residência, mas quando o suposto material “chegava” ao Brasil, outra pessoa se passava por funcionário da alfândega e informava a vítima que ela precisaria pagar o imposto de importação, mas que por um valor menor conseguia a liberação do material.

A vítima realizava esse pagamento e marcava a data da retirada do produto, mas novamente recebia ligação informando que o valor deveria ser pago em dólares e como a vítima havia depositado em moeda brasileira, necessitava do complemento.

Assim os golpistas seguiam retirando valores da vítima com diversas desculpas. Quando a vítima insistia que queria o produto ou iria denunciar a polícia, os criminosos consumavam outro crime: informavam que a vítima havia caído em um golpe e ameaçavam que, caso denunciassem, teriam fotos íntimas divulgadas em redes sociais. Assim, exigiam ainda mais dinheiro para não fazer a publicação.

Prejuízo milionário

A Polícia Civil de São Paulo conseguiu identificar 437 vítimas que registraram ocorrência dessa mesma natureza criminal. O prejuízo que estas vítimas tiveram, somadas, chaga a R$ 24 milhões. Só em Presidente Prudente, base da operação, 12 vítimas foram identificadas e ouvidas formalmente.

Em todos os estados, considerando as subnotificações, a polícia estima que os números superam 2 mil vítimas e que o prejuízo estimado, nos últimos três anos, seja de R$ 250 milhões movimentados pela organização criminosa.

Foi determinado o indiciamento de 210 pessoas. Além disso, a Polícia Civil representou pela decretação de 181 mandados de prisões preventivas, 216 mandados de busca e apreensão e o sequestro de R$ 5 milhões (entre bens móveis e imóveis), além do bloqueio e sequestro bancário de 329 contas (de pessoas físicas e jurídicas).

Anteros – o amor devolvido

O nome da operação foi escolhido em respeito ao sentimento das vítimas, segundo a polícia. Na mitologia grega, Anteros é o deus do amor retribuído, literalmente “amor devolvido” ou “contra-amor”. É também o punidor dos que desprezam o amor e os avanços de outros ou o vingador do amor não correspondido. É o deus da desilusão, ordens, manipulação.

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